Na manhã de 12 de Abril de 1961, Alan Shepard foi acordado na Flórida com uma péssima notícia. Ele não seria mais o primeiro homem no espaço. Foi por pouco. Havia dois meses, em vez de um astronauta, a Nasa decidiu lançar do Cabo Canaveral outro macaco, o terceiro desde o início dos testes. Sobre a cabeça dos americanos, a cerca de 250 km de altura e algumas horas antes, a Vostok-1 deixava claro, mais uma vez, quem liderava a corrida do século. A bordo da pequena cápsula, um filho de camponeses de 27 anos testemunhou que "a Terra é azul". Enquanto Shepard escovava os dentes, Yuri Alexeyevich Gagarin já colhia as glórias de seus 108 minutos em órbita.
O dedicado membro do Partido Comunista da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas não poderia exigir mais de si mesmo. Na última noite antes do lançamento, sensores pregados em seu corpo indicaram um sono tranquilo. Às 5:30 da manhã (hora de Moscou), Gagarin foi acordado. Diante de dados "normais demais" para quem estava prestes a enfrentar viagem tão espetacular quanto desconhecida, os médicos perguntaram como foi possível para ele dormir tão bem. O rapaz foi enfático: "Seria correto decolar se eu não estivesse descansado? Dormir era meu dever, então eu dormi."






